Tap Web Cíntia Martin

Um mundo de SAPATEADO

Entrevista de Cláudio Figueira a Cintia Martin – Setembro de 1998

Cláudio Figueira é carioca, formado em arquitetura, mas com paixão pela dança. É de Cláudio a realização, nos últimos anos, do Tap Encontro no Rio de Janeiro em torno do Dia Mundial do Sapateado (25 de maio).

Claudio Figueira é um batalhador, e mesmo em tempos de grana curta e pouco patrocínio, vem promovendo, nos últimos meses, cursos e espetáculos de sapateado no Rio, através da Só de Sapato Produções Artísticas. Cláudio é um exemplo de dedicação e amor pelo sapateado. Tiro meu chapéu a ele por todo seu esforço. Seria tão bom se existissem muitos Cláudio’s, pessoas que têm vontade, que acreditam que podem e lutam até o último minuto pela realização do seu sonho, sempre pensando no próximo, no engrandecimento não pessoal e sim para toda a classe do sapateado.

Tive a oportunidade de trabalhar com o Cláudio em um espetáculo por ele produzido e ele é um exemplo de profissionalismo e respeito. Obrigada, Cláudio, pela oportunidade que me proporcionou ao trabalhar com você e um agradecimento ainda maior por tudo que você tem feito pelo sapateado no Brasil.

Cintia Martin

Apesar de você ser formado em Arquitetura, você vive das artes e da dança. Quando você percebeu que esse era o caminho que você queria seguir ?

A arquitetura e a dança sempre foram duas paixões para mim. Na época que cursava a faculdade, dançava paralelamente na Cia. de Dança Vacilou Dançou de Carlota Portella. Quando me formei, trabalhei também como arquiteto, mas o lado artístico, os palcos, sempre falaram mais alto.

Você já era bailarino antes de iniciar seus estudos no sapateado. Com quem e onde você iniciou seus estudos no sapateado ?

Na verdade, eu iniciei meus estudos de sapateado muito cedo, mais ou menos com 13 anos, com o professor Joel Gonçalves, que já faleceu há muitos anos. Ele tinha uma técnica muito diferente da técnica que conhecemos. Tive que adaptar tudo o que havia aprendido na época para a verdadeira técnica americana.

Você dirige e coreografa uma Cia de Sapateado, a “Só de Sapato”. Como é esse trabalho ?

A Só de Sapato Cia. de Dança era um sonho meu de muitos anos que consegui realizar com a monagem do primeiro espetáculo em 1995. Ter uma companhia de dança neste país é trabalho muito árduo e que exige muita dedicação, ainda mais quando se produz, dirige, coreografa e dança no mesmo espetáculo, tarefas estas que se amenizam quando se tem um elenco homogêneo e duas grandes sapateadoras como Cíntia Martin e Patrícia Taranto ao meu lado.

Além da companhia de dança, voce tem uma produtora. Que tipo de projetos você produz ?

A minha produtora chama-se Só de Sapato Produções e Promoções Artísticas. Eu produzo os espetáculos da minha companhia de dança, o “Tap Encontro”, workshops, festivais de dança de um modo geral e musicais para teatro.

Além da companhia de dança, voce tem uma produtora. Que tipo de projetos você produz ?

A minha produtora chama-se Só de Sapato Produções e Promoções Artísticas. Eu produzo os espetáculos da minha companhia de dança, o “Tap Encontro”, workshops, festivais de dança de um modo geral e musicais para teatro.

Você já produziu algumas peças musicais como “Tapman” , “De Tudo um Pouco”, dentre outras. O que você espera ao produzir um musical ?

Sempre procuro fazer o melhor que posso e o que espero é que as pessoas respeitem esse trabalho. A união da classe artística é de vital importância para que os espetáculos de dança de um modo geral continuem a existir.

Você tem divulgado bastante o sapateado, trazendo sapateadores conceituados para ministrar cursos, além do “Tap Encontro” e shows com diversas companhias e escolas de sapateado de todo o Brasil. Com esses anos de experiência, como você avaliaria esses eventos já realizados ?

Eu adoro produzir essses eventos. Acho que eles vêm crescendo a cada dia, não só em quantidade de participantes mas na qualidade também. Sinto que os grupos e escolas que participam tentam levar o melhor que podem. Com isso, existe uma troca entre a classe sapateadora, o que eleva cada vez mais o nível do sapateado no Brasil.

A procura dos participantes pelo “Tap Encontro” cresce a cada ano. Sei da falta de oportunidade e espaço para mostrarmos nossos trabalhos, do excelente nível do evento e vejo que o sapateado toma força a cada dia. Na sua opinião, qual o principal fator desse crescimento ?

Acho que por tudo isso mesmo que você acabou de colocar. Organização e respeito pela dança são as coisas que mais prezo em meu trabalho.

Organizar cursos é sempre difícil, pois além de todo o trabalho de divulgação, organização, há sempre o risco financeiro. Sei que você não faz por dinheiro, que tudo é pelo amor ao sapateado, na melhor das intenções de divulgar a arte e poder trazer um pouco mais de conhecimento e ensinamento aos estudantes. Qual a maior dificuldade que você sente ao organizar um evento desse tipo ?

São tantas ! E sempre as mesmas. Falta de patrocinadores, altos preços dos bons teatros, pouco interesse da mídia de um modo geral… mas isso acontece em todos os segmentos das artes em nosso país.

Ao trazer um sapateador para o Brasil, você tem que levá-lo para almoçar, lanchar e jantar, e com isso você deve ter histórias maravilhosas para contar. Conte-nos uma delas.

Toda pessoa que trago de fora acaba se tornando um amigo por causa dessa convivência. No momento, não lembro de nenhuma história especial, mas uma coisa é certa: a troca de experiências profissionais realmente são valiosíssimas.

É muito dificil encontrar um sapato de qualidade aqui no Brasil. Vendo essa dificuldade, você resolveu comercialiar sua própria marca de sapatos de sapateado, a “Rhythm Tap Shoes”. Fale desses sapatos para nós.

Eu comecei a criar esses sapatos juntamente com meu sapateiro, há mais ou menos dois anos. Eles são feitos à mão, sob encomenda, e já vêm com um par de chapinhas Capezio. Essa idéia surgiu com a necessidade de ter um bom sapato, já que no Brasil é difícil encontrar boa qualidade nessa área.

E como os sapateadores poderiam adquirir o “Rhythm Tap Shoes” ?

Basta entrar em contato comigo através do tele-fax (021) 512-8118.

Como você ve o sapateado no Brasil ?

Cada dia mais excelente em qualidade e técnica, e isso é muito bom.

Quais são seus planos para o sapateado ?

Continuar fazendo o que eu faço, trazendo sempre profissionais de fora para trocarmos experiências, trabalhar um novo projeto para a Cia. Só de Sapato em 1999 e que o Tap Encontro 99 reuna mais sapateadores de todo o Brasil e, quem sabe, do mundo.

Tenho certeza que Mr. Jimmy Slide muito te ensinou. Tenho também certeza de que, para você, foi uma das melhores, senão a melhor, experiência profissional de sua carreira: ter podido trazer essa figura tão importante do sapateado mundial e ter tido a oportunidade de estar lado a lado com ele. O que mais te emocionou e o que você recordará para sempre desse momento ?

Trazer Jimmy Slide ao Brasil foi um presente de Deus inesquecível. Até hoje, quando paro para pensar sobre isso, não consigo acreditar. Não só por tudo que ele representa no sapateado mundial, mas também por sua humildade e amor ao próximo. Não tive só uma relação profissional com ele, eu ganhei um amigo de estimado valor. Nós mantemos contato sempre que possível e espero vê-lo novamente em breve. Você me perguntou o que mais me emocionou e eu te respondo: foi ver Jimmy sempre sorrindo, amante da vida, amante da dança e ver a pureza do seu olhar. Estas coisas estão gravadas em minha memória com certeza para sempre.

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