Tap Web Cíntia Martin

Um mundo de SAPATEADO

Entrevista de Eduardo Santos a Cintia Martin – Julho de 1998

Eduardo Santos é mineiro de Belo Horizonte. Com formação em Física, iniciou seus estudos no sapateado quase por acaso. Eduardo foi o primeiro brasileiro a fazer uma homepage inteiramente dedicada ao sapateado. Neste mês de julho está no Rio de Janeiro, ensaiando com o grupo formado por Steven Harper que vai se apresentar no Festival de Dança de Joinville. Trabalhando com quatro musicos, ele tem mostrado todo o seu talento para o improviso e nos conta agora um pouco de sua história.

Cintia Martin

Onde você iniciou seus estudos de sapateado ?

Em BH mesmo. Numa escola de dança.

Você é físico. O que te levou a sapatear ?

Um dia entrei no banheiro da universidade, me vi no espelho e reparei que eu estava com uma certa barriguinha. Eu, que sempre me preocupei com minha saúde física, senti então a necessidade de encontrar alguma atividade física, de preferência algo que ainda não havia feito, porque a idéia era não parar de imediato. Resolvi optar pela dança, abri o catálogo telefônico escolhi o maior anúncio e foi aí que eu optei pelo sapateado.

Alguém te inspirou no passado ? Alguém te inspira no presente ?

O primeiro grande mestre que me inspirou foi Bill Robinson. Numa cena em que aparece no documentário “That’s Dancing” fazendo um solo. Atualmente sinto-me inspirado por muitos sapateadores: Steve Condos com seus rítimos, Jimmy Slyde com seu “swing”, Van Porter (que me deu boas dicas) com seu estilo forte.

Como você descreveria o sapateado em Belo Horizonte ?

Muito amador, infelizmente.

E você não se sente sozinho no sapateado em Belo Horizonte?

Para o tipo de trabalho que eu curto mais fazer, o “rhythm tap” com improvisação com música ao vivo, sim. Mas eu tive já boas experiências com algumas parceiras, mais recentemente com Teresa Vilela.

Você tem uma Home Page de sapateado muita rica de informação e de uma importância muito grande na divulgação dessa arte no Brasil. O que você pretendia quando surgiu a ideia de fazer a sua HP ?

A idéia principal era fornecer um espaço onde sapateadores do Brasil pudessem se conhecer, deixar mensagens, endereços para correspondências, divulgar seus trabalhos, enquanto eu ia aprendendo sobre HTML.

Você tem um jornal num site da sua HP. O que se trata esse jornal ?

É uma idéia que surgiu desde que iniciei a construção do site. Trata-se na verdade de um novo site, construído inteiramente por várias pessoas espalhadas por todo o país, com reportagens, entrevistas, uma coluna sobre os grandes mestres do sapateado, e outras colunas mais. As páginas estão sendo construídas de forma a facilitar a impressão. Assim o jornal poderia saltar da Internet para os balcões de academias de todo o país. Será algo feito por todos e para todos.

Você faz um trabalho solo com quatro músicos, como é esse trabalho ?

É um trabalho onde tenta-se combinar diversas possiblidades cênicas, sonoras e performáticas envolvendo sapateado, teclado, baixo, bateria e voz.

Você pretende viajar com esse show ?

Sim. Já estivemos em Uberaba, mas estamos ainda em fase de laboratório, aproveitando o que tem dado certo, tentando achar o formato ideal para o show.

Quais são suas metas no sapateado ?

Poxa … não sei bem. Tenho alguns projetos em mente, mas sinto que estou precisando de uma injeção de ânimo. Mas sinto também que é o que está ocorrendo durante este tempo que estou passando com vocês aqui no Rio.

Você está indo para Joinvile dançar junto ao Steven Harper.Como está sendo essa experência para você ?

Muito proveitosa. Estou tendo um trabalho danado para me adaptar … sabe como é né?! … estou muito acostumado a dançar apenas o que eu mesmo crio. Acima de tudo estou muito satisfeito e agradecido pelo convite do Steven.

O que sapatear significa para você ?

Já faz parte de mim. Sapateio até sozinho, em casa. Esteja eu feliz ou angustiado. Mas a idéia agora é envolver-me com mais sapateadores e músicos … e agitar. Quero me expressar da melhor maneira que consigo, que é sapateando.

Você gostaria de dizer alguma coisa para os sapateadores?

Um sapateador é, essencialmente, um artista. Sendo assim, sua essência deve ser a emoção, seja numa improvisação ou na execução de uma coreografia. Use o seu sapateado para expressar suas emoções.

Estou tendo a oportunidade de trabalhar com você e me impressionei com seu sapateado, ágil e criativo. Você está bem próximo de improvisadores americanos usando muito a batida dos pés se preocupando muito com o ritmo tirado. Você treina muito sozinho ? Como é esse processo de ensaio e criação ?

É puramente ouvir e sentir a música ? Não tenho praticado muito. Já tive épocas em que eu praticava muito. Estou precisando praticar mais. Na questão da musicalidade, no início era mais intuitivo. A partir de algumas dicas do Van Porter e dos meus trabalhos com músicos, sinto que venho melhorando. Tenho muito ainda pela frente, mas felizmente tenho hoje muito material à disposição. Depois desta viagem então …

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